Playboys de Nova York

A fofoca move Nova York.
Nesse livro não acontece nada.
A vida
Alheia é o enfoque.
Os ricos também amam.
Novos ricos chegam.
Ricos velhos não andam com gentalha.
Entre eles sempre tem uns canalhas.
Quem tem dinheiro manda,
Quem não tem, apenas anda.
Sobram os meliantes
E os coadjuvantes.
Nessa cidade que cresce
E aparece.
Primo pobre, primo rico.
Confuso eu fico.
Primo rico, primo pobre.
Quem é esse povo sem sangue nobre?
Uma sociedade corrompida.
“Deus me livre de ser pobre. ”
Não me faltam os cobres.
Que madame exibida.
De rico ser parente
Consegue ser pior que ser crente.
Essa história está mal contada.
Essa condessa
deve ser boa à beça.
Sempre requisitada
para as festas e baladas.
De inocente, ela nada
tem. Como as beldades, as flores têm significado.
Quando mal interpretadas,
viram fardos.

A pressa é inimiga da perfeição.
Esse casório não sai, não?
Já se foi o tempo de pegar na mão.
O playboy está irritado,
não arruma um "Bombocado".
Em Nova York só tem tapado;
na Europa está tudo liberado.
"Divórcio sempre é desagradável."
Ser ser humano é ser miserável.
Nesse caroço tem angú.
Olenska armou um sururu?
Esse conde
levou um bonde
de chifre. Enquanto isso, no teatro
Última cena, último ato.
O playboy com a cabeça
Na Condessa.
"Se ela me desse bola
eu partia para o Rala e Rola."

Brincando de casinha
com a condessa taradinha.
Chegou o banqueiro
talarico trambiqueiro.
"Tira o pé da minha janta,
seu empata...
“Não cobiçarás a mulher do próximo.”
O próximo está na Europa,
outra parceira, outra roupa,
"não sei qual eu amo."
Depois, beijar na boquinha
da Patricinha.
Essa vida
é muito sofrida.

Uma donzela atualizada
sempre entende das paradas.
Flores no cabelo e uma doçura,
quase posso acreditar que és pura.
Não dá para comer a merenda antes do recreio,
esse noivado eu receio.
Esse livro é da hora,
esse Playboy só dá bola fora.
Visita estranha com gente esquisita,
o conde a Ellen irrita.
Nem espanto faz a condessa mudar de cor.
Precisamos de um drama
melhor. Ellen tem vocação para o melodrama.
Ferrou tudo, chegou um telegrama.
O Playboy até agora
não degustou ninguém, minha senhora.
Hum!
Fim do livro um...

O homem casado
vira um retardado,
muito mais melhor era o noivado.
Não tinha merenda,
mas você não perturbava ninguém,
amém.
Tudo gira em torno da renda.
Se não render no casamento,
você começa a ser tratado como um jumento.
Será que essa noiva pega na flecha
e libera a brecha?

O livro dois
não combina igual feijão com arroz.
Um rubor no pescoço,
esse tal de amor é osso.

Onde vai ser a lua de mel?
Sei lá, em qualquer lugar.
O importante é merendar
debaixo do céu.
Opa!
Vamos à Europa,
tem um monte de vestido,
mas mesmo assim, não faz sentido
se sente sem roupa para a ocasião.
Que confusão.
Se o pensamento está em outro lugar,
o melhor é não se casar.
Onde a condessa vai,
o Playboy vai
atrás. Perdeu a viagem, cupido da flecha quebrada
não fura nada.
O mundo era o mesmo,
girando a esmo.
Quando se encontra a pessoa desejada,
tudo fica colorido, é outra parada.
Boston deve ser uma bosta.
Passear de barco se mostra uma boa proposta.

Toda madame quer ser entendida,
nunca vi tanta conversa fiada.
Essa conversa
não vai e nem vem,
essa condessa
nem vem, nem vai.
"Não vá embora, fique um pouco mais.
Ninguém sabe fazer o que você me faz."
Nem todo barco é feito de aço,
o playboy viajou para fazer papel de palhaço.
Dessa vez,
veio um mensageiro francês.
O que é bom não se herda,
rico também faz merda.


Fofoca rolo compressor
Onde tem rapariga,
tem intriga.
Será que o final vai ser melhor?
O banqueiro está falido.
Da família é a vergonha
Rico fica pobre, coisa medonha.
A culpa é sempre do marido.
Dinheiro na mão é vendaval.
Desgraça pouca é bobagem.
Playboy perdeu a viagem?
A carta, uma visita à velha, passou mal.
Lá vai mais telegrama,
Aguçando o drama.

Esse bigode de gente sem vergonha,
enxerido,
cobra que tem peçonha
na velocidade da luz, o telegrama é transmitido.
Banqueiro faliu,
vai morar debaixo da ponte que caiu.
Quem vai fazer o sacrifício
de buscar a Ellen, aquele estrupício?
Toda explicação
se mostra proporcional à confusão.
Nunca diz nada quem tem muito a dizer.
Vamos ver.
"Ói, ói o trem,
vem surgindo de trás das montanhas azuis, olha o trem."
“Quem conversa demais dá bom dia até para os cavalos.”
Nada muda nessa berlinda.
Disseram que essa obra é linda.
Onde há mais mentirosos,
na vida ou nos livros?
Nós e nossos planos
dos desenganos.

Rotina se faz de surda
e muda.
No casamento
não pode faltar divertimento.
Não tem fim essa arenga,
essa velha capenga.
Morre,
não morre.
"Qual é sua opinião sobre poesia?"
"Isso deixo à revelia."
"Esse bordado
está me deixando
entediado."
Esposa cadáver?
Não posso crer.
Doido é virado de gente.
Playboy está ficando demente.
A Vovózona
matrona
tem dinheiro e é mandona.
Manda quem pode,
obedece quem tem juízo
para não ficar no prejuízo.
Quem pode, pode.
O fim começa a dar pinta.
Outra viagem perdida.

Nessa realidade, até os adultos têm mesada.
De inocência, aqui não tem nada.
Os caçadores da condessa perdida,
museu e suas velharias escondidas.
Antes do fim chegar,
quem não vai chorar?
Fica comigo esta noite,
lá fora a vida é um açoite.
Mais fofocas durante a refeição,
isso não acaba não.
De volta ao teatro,
fim do terceiro ato.
Quem olha para trás
pensa demais.
A patricinha, você viu?
Quase caiu.
Vestido rasgado
virou um trapo enlameado.
Dor de cabeça,
culpa da condessa.
Uma dor contagiosa
aqui, cada um tem uma prosa.
Famílias tradicionais
não são nada informais.
"Pobre não entra na lista,
não insista."
Casório é um negócio.
Quem quer entrar de sócio?
Cabo de guerra,
esposa puxa,
marido puxa,
cedo ou tarde, um erra.
Amor roleta russa,
você come e se empapuça.
May, dama da sociedade.
Ellen já vai tarde.
Bando de falsa gente.
Parente
é mal semente,
vira bicho e come a gente.
O jantar foi perfeito.
Ninguém botou defeito.
Tudo saiu como esperado.
Não posso dizer se o final ficou do meu agrado.
Não há verso que se edite.
Tchau Edith.

Telly Martins

Telly S.M. poeta e escritor underground das redes sociais.

Escrevo porque o universo não conspirou a favor.

Por último, mas não menos importante, poeta do canal Bruna e Livros no Youtube.

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