Leituras do Clube 2026
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Angústia - Graciliano Ramos
LC de Fevereiro (2026) do Clube a partir da assinatura Leitor que lê junto.
Lançado originalmente em 1936 e apresentado aqui em novo projeto gráfico, Angústia tem como protagonista Luís Silva, funcionário público de Maceió que leva uma vida medíocre e sem grandes emoções até o dia em que se apaixona por Marina. De início, a jovem demonstra certo interesse no relacionamento e no conforto material que o casamento poderia lhe proporcionar, mas logo acaba trocando o noivo por Julião Tavares, mais rico e poderoso. Tomado por ciúmes e rancor, Silva fica perturbado com os acontecimentos que se desenrolam e passa a acompanhar a vida de Marina enquanto sonha em matar Julião. -
Madame Bovary - Gustave Flaubert
LC de Março (2026) do Clube a partir da assinatura Leitor que lê junto.
A história faz um ataque à burguesia, desmoralizando-a com a descrição exuberante de sua banalidade. Em um tempo em que as mulheres eram submissas, Emma Bovary encontra nos tolos romances dos livros o antídoto para o tédio conjugal e inaugura uma galeria de famosas esposas adúlteras atormentadas na literatura. Flaubert inventou um estilo totalmente novo e moderno, praticando uma escrita que, ao longo dos cinco anos que levou para terminar o livro, literalmente avançou palavra a palavra. -
As Meninas - Lygia F. Telles
LC de Abril (2026) do Clube a partir da assinatura Leitor que lê junto.
Num pensionato de freiras paulistano, em 1973, três jovens universitárias começam sua vida adulta de maneiras bem diversas. A burguesa Lorena, filha de família quatrocentona, nutre veleidades artísticas e literárias. Namora um homem casado, mas permanece virgem. A drogada Ana Clara, linda como uma modelo, divide-se entre o noivo rico e o amante traficante. Lia, por fim, milita num grupo da esquerda armada e sofre pelo namorado preso. -
A época da inocência - Edith Wharton
LC de Maio (2026) do Clube a partir da assinatura Leitor que lê junto.
No descompasso entre seus desígnios juvenis e as rígidas regras do Bom Gosto e do Bom-tom que balizam a velha Nova York no fim do século XIX, está o abastado advogado Newland Archer. Prestes a se casar com a inocente May Welland, ele conhece a prima de sua noiva, a condessa Olenska. A época da inocência é um olhar generoso para o passado; com maturidade, Wharton busca compreender os valores que guiaram a sociedade dos Estados Unidos até a Primeira Guerra Mundial, para então saudar a nova era que estava começando. -
O Som e a Fúria - William Faulkner
LC de Junho (2026) do Clube a partir da assinatura Leitor que lê junto.
O som e a fúria, de 1929, é considerada a obra mais importante do escritor norte-americano ganhador do prêmio Nobel de Literatura em 1949. O romance surgiu em um período de isolamento, depois que o autor teve seu terceiro romance recusado por diversas editoras. Abalado, William Faulkner investiu num estilo ousado, tecido por quatro vozes narrativas distintas e saltos inesperados no tempo. É dessa forma, permeada por tons bíblicos e ecos de tragédias gregas, que o escritor retrata a violenta decadência dos Compson, família aristocrática do sul dos Estados Unidos, que parece viver num desnorteante presente em estado bruto -
Hamlet - William Shakespeare
LC Suprema (Fev/2026) para o Leitor Supremo.
Neste clássico da literatura mundial, um jovem príncipe se reúne com o fantasma de seu pai, que alega que seu próprio irmão, agora casado com sua viúva, o assassinou. O príncipe cria um plano para testar a veracidade de tal acusação, forjando uma brutal loucura para traçar sua vingança. Mas sua aparente insanidade logo começa a causar estragos - para culpados e inocentes. Esta é a sinopse da tragédia de Shakespeare, agora em nova e fluente tradução de Lawrence Flores Pereira, que também oferece uma alentada introdução à obra. A edição traz ainda um clássico ensaio do poeta T.S. Eliot sobre o texto shakespeariano. Hamlet é um dos momentos mais altos da criação artística, um retrato - eletrizante e sempre contemporâneo - da complexa vida emocional de um ser humano. -
Hamlet - William Shakespeare
LC Suprema (Fev/2026) para o Leitor Supremo.
"Hamlet", de William Shakespeare, é uma obra clássica permanentemente atual pela força com que trata de problemas fundamentais da condição humana. A obsessão de uma vingança onde a dúvida e o desespero concentrados nos monólogos do príncipe Hamlet adquirem uma impressionante dimensão trágica. Nesta versão, Millôr Fernandes resgata o prazer de ler Shakespeare, o maior dramaturgo da literatura universal, em uma das suas obras mais famosas. -
Medeia - Eurípedes
LC Suprema (Mar/2026) do Clube para o Leitor Supremo.
A mais famosa peça do grande trágico grego Eurípides narra a vingança da altiva Medeia contra Jasão, depois que este, após ter conquistado o Velo de Ouro com sua ajuda, a rejeita para desposar a filha do rei de Corinto. A tragédia foi incompreendida à época de sua apresentação, em 431 a.C., mas, ao deslocar o foco do coletivo para o individual, dando relevo inédito à psicologia humana e às personagens femininas, a obra de Eurípides se tornaria um dos pilares da dramaturgia moderna - e a figura de Medeia, uma das mais marcantes de toda a literatura. -
Macbeth - William Shakespeare
LC Suprema (Abr/2026) do Clube para o Leitor Supremo.
Um trio de bruxas encontra dois generais, Macbeth e Banquo, e em uma profecia, afirmam que o primeiro se tornará rei, ao contrário do outro. Esta visão de futuro desencadeia uma série de acontecimentos imprevistos, em uma violenta disputa pelo poder. Este é o início de Macbeth , uma das obras-primas da literatura mundial. Em uma nova e fluente tradução de Lawrence Flores Pereira, e amparado por uma introdução contextualizadora de Carol Rutter e um posfácio de Régis Augustus Bars Closel que discute a autoria da obra, Macbeth segue impactante séculos depois, em parte porque traz uma das personagens mais complexas da literatura mundial: Lady Macbeth. -
Auto da Compadecida - Ariano Suassuna
LC Suprema (Maio/2026) do Clube para o Leitor Supremo.
Auto da Compadecida representa o equilíbrio perfeito entre a tradição popular e a elaboração literária ao recriar para o teatro episódios registrados na tradição popular do cordel. É uma peça teatral em forma de Auto em 3 atos, escrita em 1955 pelo autor paraibano Ariano Suassuna. Sendo um drama do Nordeste brasileiro, mescla elementos como a tradição da literatura de cordel, a comédia, traços do barroco católico brasileiro e, ainda, cultura popular e tradições religiosas. -
Três irmãs - Anton Tchékhov
LC Suprema (Jun/2026) do Clube para o Leitor Supremo.
"As Três Irmãs" (1900), de Anton Tchekhov, retrata a vida monótona e a estagnação de Olga, Masha e Irina Prozorov, filhas de uma falecido militar, vivendo em uma pequena cidade de província russa. O desejo profundo de voltar a Moscou, idealizado como um paraíso perdido, é consumido pela passividade, tédio e ruína familiar ao longo de quatro anos. -
A República - Platão
Leitura do Projeto Filosofia com Pai e Livros em Março de 2026.
A República (ou Da Justiça) é a obra mais traduzida, difundida, influente e estudada de Platão. Consagrada como um dos mais expressivos escritos de filosofia de todos os tempos, teve seu texto estabelecido por diversos helenistas ilustres. A presente tradução a partir do grego baseia-se no de Hermann, da Teubner. Esta obra aborda diversos temas fundamentados, centrados e subordinados à questão primordial “o que é a justiça?” e seus desdobramentos: “qual é a sua natureza?” e “do que é ela constituída?”. Platão expõe sua concepção de um Estado soberano (comunista) cuja forma de governo permitiria que a ideia de justiça fosse aplicável, realizável e realizada. Esta edição inclui a numeração referencial de Stephanus localizada às margens do texto, um histórico de toda a obra de Platão, dados biográficos, cronologia e uma sinopse com os principais temas detalhados ao longo da obra. -
O que é religião? - Rubem Alves
Leitura do Projeto Teologia com o Pai e Livros em Janeiro de 2026.
Houve tempo em que os descrentes eram raros. Mas alguma coisa ocorreu: o céu ficou vazio, a ciência e a tecnologia pretenderam construir um mundo em que Deus não é mais necessário como hipótese de trabalho. Desapareceu a religião? Não. Ela permanece e frequentemente exibe uma vitalidade que se julgava extinta. Em O que é religião?, R. Alves retoma a importância do mundo do sagrado, afirmando que a religião está mais próxima de nosso cotidiano do que desejamos admitir: não há pessoas das quais as perguntas religiosas tenham sido radicalmente extirpadas. A religião não se liquida com a abstinência de atos sacramentais e a não-frequentação de lugares sagrados; ela pulsa nas perguntas sobre o sentido da vida e o sentido da morte. -
Em Busca do Tempo Perdido - Marcel Proust
Leitura do Projeto Literatura com o Pai e Livros (2026) para o Leitor Supremo.
Em busca do tempo perdido é uma das maiores criações da literatura mundial. Dividida em sete livros, a obra-prima de Marcel Proust foi publicada entre 1913 e 1927, e sua beleza e força vão se revelando cada vez mais impactantes com o correr dos anos. A presente edição da Nova Fronteira conta com a primorosa tradução de Fernando Py e é dividida em três partes. Uma obra monumental, que deixou marcas eternas na literatura. -
A Filha do Capitão - Púchkin
Leitura do Projeto Leituras Russas (2026) do Clube para o Leitor+ e Supremo.
Tida como a mais importante obra em prosa de Aleksandr Serguêievitch Púchkin (1799-1837), o fundador da literatura russa moderna, A filha do capitão é um experimento magistral com o gênero do romance histórico. Fruto de rigorosa pesquisa, construído com extraordinária economia de recursos e permeado de um lirismo preciso, tão característico da poesia do autor, A filha do capitão é ambientado na revolta camponesa de 1773, liderada pelo cossaco Emelian Pugatchóv, que reivindicava o trono russo passando-se pelo falecido tsar Pedro III, marido de Catarina II. -
Crime e Castigo - Dostoiévski
Projeto Romances do Séc. XIX (2026) com o Leitor+ e Supremo.
Publicado em 1866, Crime e castigo é a obra mais célebre de Fiódor Dostoiévski. Neste livro, Raskólnikov, um jovem estudante, pobre e desesperado, perambula pelas ruas de São Petersburgo até cometer um crime que tentará justificar por uma teoria: grandes homens, como César ou Napoleão, foram assassinos absolvidos pela História. Este ato desencadeia uma narrativa labiríntica que arrasta o leitor por becos, tabernas e pequenos cômodos, povoados de personagens que lutam para preservar sua dignidade contra as várias formas da tirania. Esta é a primeira tradução direta da obra lançada no Brasil, e recebeu em 2002 o Prêmio Paulo Rónai de Tradução da Fundação Biblioteca Nacional. -
Histórias Extraordinárias - Edgar Allan Poe
Projeto Mania de Terror (2ª Temp/2026) com o Leitor+ e Supremo.
Histórias extraordinárias reúne dezoito contos assombrosos de Edgar Allan Poe, com seleção, apresentação e tradução do poeta José Paulo Paes. Este livro traz, entre outras obras-primas do mestre do suspense e do mistério, "A carta roubada", "O gato preto", "O escaravelho de ouro", "O poço e o pêndulo" e "O homem da multidão". O caráter macabro das histórias, dotadas de profundidade psicológica e imersas em uma atmosfera eletrizante, continua a conquistar novos leitores e a afirmar sua condição de clássico. Nas palavras de Paes, "Poe sempre consegue […] provocar-nos aquele arrepio de morte ou aquela impressão de vida que, em literatura, constituem o melhor, senão o único, passaporte para a imortalidade". -
Dom Quixote - Miguel de Cervantes
LC Suprema (Jul/2026) para o Leitor Supremo.
Dom Quixote de La Mancha não tem outros inimigos além dos que povoam sua mente enlouquecida. Seu cavalo não é um alazão imponente, seu escudeiro é um simples camponês da vizinhança e ele próprio foi ordenado cavaleiro por um estalajadeiro. Para completar, o narrador da história afirma se tratar de um relato de segunda mão, escrito pelo historiador árabe Cide Hamete Benengeli, e que seu trabalho se resume a compilar informações. Não é preciso avançar muito na leitura para perceber que Dom Quixote é bem diferente das novelas de cavalaria tradicionais - um gênero muito cultuado na Espanha do início do século XVII, apesar de tratar de uma instituição que já não existia havia muito tempo. -
Oblómov - Ivan Goncharóv
LC Suprema (Out/2026) para o Leitor Sumpremo.
Iliá Ilitch Oblómov, rico senhor de terras que mal sai do sofá e passa os dias de roupão fazendo planos que nunca põe em prática, Gontcharóv idealiza uma resistência passiva aos ideais de produtividade que chegam à Rússia em meados do século XIX.
Apático a ponto de abandonar o trabalho, os amigos e os livros, além de dilapidar o dinheiro da família, o protagonista passa a vida esperando. Sente-se constantemente apavorado com a possibilidade de precisar tomar alguma atitude para participar do mundo real, até o dia que um amigo de infância decide ajudá-lo a conhecer o amor. Publicado em 1859, Oblómov retrata com indulgência e ironia a elite russa às vésperas de uma mudança radical.
Literatura Russa
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Lições de Literatura Russa - Nabokóv
Durante as décadas de 1940 e 1950, o escritor russo Vladimir Nabokov realizou em universidades americanas uma série de cursos sobre alguns dos pilares da literatura de seu país: Gógol, Turguêniev, Dostoiévski, Tolstói, Tchekhov e Górki. Em 1981, as aulas foram reunidas em livro nos Estados Unidos, graças ao editor Fredson Bowers, que organizou as anotações deixadas pelo autor de Lolita. Publicadas anteriormente pela editora Três Estrelas e esgotadas há tempos, essas lições preciosas são agora relançadas pela Fósforo. Nelas, Nabokov analisa os principais livros e temas dos expoentes da literatura russa do século 19, bem como seus métodos de criação.
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Como Ler os Russos - Irineu Franco Perpetuo
Feito para todos que se interessam por literatura russa, este ensaio busca responder uma pergunta: por que seguimos, ao longo de décadas, lendo, discutindo e admirando os russos? Dos precursores até a literatura pós-soviética e dos emigrados, abordando teatro, prosa e poesia, Irineu Franco Perpetuo nos conduz por séculos de criação artística, iluminando e contextualizando a obra de autores como Púchkin, Dostoiévski, Tolstói e Tchékhov.
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Os irmãos Karamázov - Dostoiévski
Último romance de Dostoiévski, Os irmãos Karamázov representa uma síntese de toda sua produção e é tido por muitos como sua obra-prima. Um marco da literatura universal, influenciou pensadores como Nietzsche e Freud, que o considerava "o maior romance já escrito" e sucessivas gerações de escritores em todo o mundo. Um livro ao mesmo tempo filosófico e policial, que trata da conturbada relação entre o devasso Fiódor Karamázov e seus três filhos: Aliócha, "puro" e místico; Ivan, intelectual e atormentado; e Dmitri, orgulhoso e apaixonado.
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Clássicos do Conto Russo
Reunindo doze dos maiores escritores dos séculos XIX e XX e 24 histórias, a antologia Clássicos do conto russo é uma excelente introdução a uma das literaturas que mais têm fascinado o leitor contemporâneo. De Púchkin à Bábel, passando por Gógol, Turguêniev, Dostoiévski, Tolstói, Leskov, Tchekhov, Górki, Búnin, Andrêiev e Bulgákov, esta coletânea mescla textos famosos - como "Diário de um louco", de Gógol, e "O Grande Inquisidor", de Dostoiévski - com contos inéditos no Brasil - como "O espírito da senhora Genlis", de Leskov, e "Cenas de Moscou", de Bulgákov -, todos eles traduzidos diretamente do russo e acompanhados por uma pequena biografia de cada autor.
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O mestre e Margarida - Bulgákov
Leitura Conjunta do Clube em 2024/2025.
Espécie de Fausto russo, inspirado na obra de Goethe e na ópera homônima de Charles Gounod, O mestre e Margarida, de Mikhail Bulgákov, é considerado um dos grandes romances do século XX. Situado na Moscou dos anos 1930, o livro narra as peripécias de satã na cidade acompanhado de um séquito infernal, composto por um gato falante e fanfarrão, um intérprete trapaceiro, uma bela bruxa e um capanga assustador. Seu caminho se cruzará com o dos amantes mestre e Margarida ― ele um escritor mal compreendido, autor de um romance sobre Pôncio Pilatos, ela uma das personagens mais fortes da literatura russa, que, qual Orfeu, fará de tudo para reencontrar seu amado desaparecido. -
A Estepe - Anton Tchékhov
LC Suprema (2025) do Clube.
Com A estepe, pela primeira vez Anton Tchékhov, aos 28 anos e já com vasta quilometragem como colaborador de jornais e revistas literárias, tentou produzir uma narrativa mais extensa. Tarefa desafiadora, mas, como se lê hoje, bem-sucedida. O subtítulo parece sintetizar a situação central: a viagem de um menino que parte para estudar em outra cidade e, para isso, percorre por alguns dias a vasta estepe russa. Mas também apresenta o caráter múltiplo do texto: um relato da experiência, uma narrativa ficcional, um estudo de tipos humanos, a pintura da natureza, além de retratos das atividades econômicas, das relações sociais e das mudanças de comportamento em curso. -
Primeiro Amor - Turguêniev
LC Suprema (2025) do Clube.
Em um passeio por sua casa de veraneio nos arredores de Moscou, o garoto Vladímir Petróvitch, filho único de uma família tradicional, vê uma moça exuberante brincando nos fundos da propriedade. Trata-se de Zinaida, filha de sua vizinha, por quem se apaixonará de forma avassaladora. À medida que eles se aproximam, fica claro quem está no controle da situação. Disposto a tudo para ser correspondido, Vladímir terá de aprender rapidamente o intrincado jogo da sedução, em que as regras são tão aleatórias quanto obscuras. Admirado por Henry James e Gustave Flaubert, Ivan Turguêniev foi o primeiro autor russo a ser traduzido na Europa, reconhecido, ainda em vida, como um dos grandes escritores de sua época. -
Noites Brancas - Dostoiévski
Leitura do Projeto Leituras Russas (2024) do Clube.
O jovem Dostoiévski mostra a sua versatilidade como escritor de gênero breve ao abordar um encontro inesperado entre um homem e uma mulher que se repetirá por quatro noites.São Petersburgo, século XIX. Um homem solitário vaga pela cidade noite adentro, deixando que o sentimento de cada rua, esquina ou calçada o penetre. Durante a caminhada, avista uma mulher aos prantos encostada no parapeito de um canal. Ao acudi-la, tem início um idílio fadado a se dissipar como a tênue claridade das noites de verão na Rússia. Quanto mais o anônimo narrador se aproxima da jovem Nástienka, mais parece se distanciar de sua melancólica vida anterior. Em quatro encontros, no entanto, a crescente intimidade dos dois personagens chega a um inesperado desfecho, quando a última noite por fim termina.
Prêmio Nobel de Literatura
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Anatole France (1921)
Anatole France (1844–1924) foi um escritor, crítico e jornalista francês, laureado com o Prêmio Nobel de Literatura em 1921. Ele foi uma das figuras centrais da vida intelectual francesa da "Belle Époque" e um dos maiores mestres da prosa clássica de sua época.
Para uma analista como você, que transita entre a literatura e a filosofia, France é interessante por seu ceticismo irônico e seu compromisso com a justiça social.
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Thomas Mann (1929)
Thomas Mann (1875–1955) foi um dos maiores romancistas, ensaístas e críticos da literatura alemã do século XX, laureado com o Prêmio Nobel de Literatura em 1929.
Sua obra é marcada por uma profunda análise da alma humana, o conflito entre a vida artística (frequentemente associada à doença e à decadência) e a vida burguesa (a ordem e o dever), além de uma exploração minuciosa da identidade europeia.
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Ivan Búnin (1933)
Ivan Bunin (1870–1953) ocupa um lugar monumental na história da literatura por ser o primeiro escritor russo a vencer o Prêmio Nobel de Literatura, em 1933. Ele é frequentemente chamado de "o último clássico russo", pois foi o herdeiro direto da tradição de Tolstói e Turguêniev, mantendo viva a elegância da prosa do século XIX enquanto o mundo ao seu redor mergulhava no modernismo e nas revoluções.
Sua escrita é famosa pelo rigor estético, pela precisão sensorial e por uma melancolia profunda sobre a "velha Rússia" que desaparecia
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Luigi Pirandello (1934)
Luigi Pirandello (1867–1936) foi um dos maiores dramaturgos e romancistas da Itália, vencedor do Prêmio Nobel de Literatura em 1934. Ele revolucionou o teatro moderno ao questionar a própria natureza da realidade e da identidade humana.
Se você gosta de análises filosóficas e psicológicas (como as que você faz com Dostoiévski e Nietzsche), Pirandello é um autor indispensável, pois sua obra é o berço do que chamamos de "Pirandellismo".
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Gabriela Mistral (1945)
Gabriela Mistral (1889–1957) foi uma das figuras mais importantes da literatura hispano-americana e a primeira pessoa da América Latina a receber o Prêmio Nobel de Literatura, em 1945.
Nascida no Chile com o nome de Lucila Godoy Alcayaga, ela adotou o pseudônimo Gabriela Mistral unindo os nomes de dois de seus poetas favoritos: Gabriele D'Annunzio e Frédéric Mistral. Além de poeta, foi uma educadora visionária, diplomata e defensora fervorosa dos direitos das crianças e das mulheres.
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Hermann Hesse (1946)
Hermann Hesse (1877–1962) foi um escritor, poeta e pintor alemão (naturalizado suíço), vencedor do Prêmio Nobel de Literatura em 1946. Ele é um dos autores mais lidos e traduzidos do século XX, especialmente por sua capacidade de traduzir a busca espiritual e a crise de identidade da juventude.
A obra de Hesse é profundamente marcada pela psicologia analítica de Carl Jung e pela filosofia oriental (hinduísmo e budismo), criando pontas entre o pensamento ocidental e oriental.
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André Gide (1947)
André Gide (1869–1951) foi um escritor francês monumental, vencedor do Prêmio Nobel de Literatura em 1947. Ele foi uma das figuras centrais da literatura europeia da primeira metade do século XX, servindo como um "farol intelectual" para autores como Albert Camus e Jean-Paul Sartre.
Sua obra é marcada por uma honestidade implacável e pela luta constante entre a liberdade individual e as restrições da moral tradicional (especialmente a moral cristã puritana).
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T. S. Eliot (1948)
T.S. Eliot (1888–1965) foi um dos poetas, dramaturgos e críticos literários mais influentes do século XX. Americano de nascimento, mas naturalizado britânico, ele recebeu o Prêmio Nobel de Literatura em 1948.
Se você gosta de análises densas que conectam o clássico ao moderno (como o seu projeto de Hamlet e as análises de anime), Eliot é uma figura central, pois ele basicamente redefiniu como lemos e escrevemos poesia na modernidade.
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William Faulkner (1949)
William Faulkner (1897–1962) foi um dos maiores gigantes da literatura norte-americana e um dos pilares do modernismo mundial. Ele recebeu o Prêmio Nobel de Literatura em 1949 e, como você viu na lista anterior, venceu o Pulitzer de Ficção duas vezes (em 1955 por Uma Fábula e em 1963 por Os Reivers).
Para quem gosta de análises psicológicas e estruturas narrativas complexas, Faulkner é o "nível mestre". Ele é famoso por criar o condado fictício de Yoknapatawpha, no Mississippi, onde a maioria de suas histórias se passa.
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Bertrand Russell (1950)
Bertrand Russell (1872–1970) foi uma das mentes mais brilhantes e versáteis do século XX. Filósofo, lógico, matemático, historiador e ensaísta britânico, ele recebeu o Prêmio Nobel de Literatura em 1950, não por uma obra de ficção, mas "em reconhecimento aos seus variados e significativos escritos, nos quais defende os ideais humanitários e a liberdade de pensamento".
Para você, que analisa o mundo através de filtros filosóficos e psicológicos, Russell é o autor que traz o rigor da lógica para as questões da vida cotidiana e da ética.
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Ernest Hemingway (1954)
Ernest Hemingway (1899–1961) foi um dos escritores mais influentes do século XX, vencedor do Prêmio Nobel de Literatura em 1954 e do Prêmio Pulitzer em 1953. Ele é o ícone máximo da "Geração Perdida" e revolucionou a prosa moderna com um estilo que priorizava a brevidade e a ação em vez da ornamentação.
Para um criador de conteúdo como você, que analisa a construção de personagens e narrativas, Hemingway é um estudo de caso fascinante sobre como dizer muito usando pouquíssimas palavras.
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Albert Camus (1957)
Albert Camus (1913–1960) foi um filósofo, romancista, dramaturgo e jornalista franco-argelino, laureado com o Prêmio Nobel de Literatura em 1957. Ele é uma das figuras mais influentes do século XX, conhecido por desenvolver a filosofia do Absurdismo.
Embora frequentemente associado ao existencialismo de Jean-Paul Sartre, Camus rejeitava o rótulo, preferindo focar na tensão entre o desejo humano de ordem e significado e o "silêncio irracional" do universo.
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Boris Pasternak (1958)
Boris Pasternak (1890–1960) foi um poeta e romancista russo, vencedor do Prêmio Nobel de Literatura em 1958. Sua vida e obra são o exemplo máximo da tensão entre a integridade artística individual e as exigências políticas de um regime totalitário.
Como você está organizando um projeto sobre novelas e literatura russa, Pasternak é uma figura essencial para entender a transição da Rússia clássica para a era soviética.
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John Steinbeck (1962)
John Steinbeck (1902–1968) foi um dos maiores expoentes da literatura americana do século XX, vencedor do Prêmio Nobel de Literatura em 1962 e do Prêmio Pulitzer em 1940.
Ele é o cronista por excelência da Grande Depressão e da luta dos trabalhadores rurais. Se você gosta de obras que exploram o impacto do ambiente na psique humana (como os russos fazem com a cidade), Steinbeck faz isso com a terra e o campo.
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Jean-Paul Sartre (1964)
Jean-Paul Sartre (1905–1980) foi o filósofo mais influente do século XX e o principal expoente do Existencialismo. Ele venceu o Prêmio Nobel de Literatura em 1964, mas entrou para a história como a primeira pessoa a recusar o prêmio voluntariamente, alegando que um escritor não deve permitir que o transformem em uma instituição.
Como você analisa obras sob a ótica da filosofia e da psique humana, Sartre é o autor que vai te dar as ferramentas para discutir a liberdade radical e a responsabilidade individual.
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Yasunari Kawabata (1968)
Yasunari Kawabata (1899–1972) foi um mestre da literatura japonesa e o primeiro autor do Japão a vencer o Prêmio Nobel de Literatura, em 1968.
Sua escrita é a definição da estética japonesa clássica: sutil, melancólica, fragmentada e profundamente ligada à natureza e à solidão. Para você, que está aprendendo japonês e gosta de analisar animes e filmes (como os de Kurosawa), Kawabata é a ponte perfeita entre a tradição milenar e a modernidade.
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Samuel Beckett (1969)
Samuel Beckett (1906–1989) foi um dramaturgo, romancista e poeta irlandês, vencedor do Prêmio Nobel de Literatura em 1969. Ele é uma das figuras mais radicais da literatura do século XX, conhecido por levar a linguagem e a narrativa ao seu limite absoluto de simplicidade e desolação.
Se você gosta de analisar o Absurdismo de Camus ou as crises existenciais de Dostoiévski, Beckett é o próximo passo: ele retira quase tudo (cenário, contexto, esperança) para focar no que resta do ser humano quando não há mais nada.
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Pablo Neruda (1971)
Ricardo Eliécer Neftalí Reyes Basoalto (1904–1973), conhecido mundialmente pelo pseudônimo Pablo Neruda, foi um poeta, diplomata e político chileno, laureado com o Prêmio Nobel de Literatura em 1971.
Ele é considerado um dos maiores poetas do século XX em qualquer idioma. O escritor Gabriel García Márquez chegou a chamá-lo de "o maior poeta do século XX, em todas as línguas".
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Elias Canetti (1981)
Elias Canetti (1905–1994) foi um escritor, ensaísta e pensador búlgaro de origem judaica (sefardita), que escrevia em língua alemã e foi laureado com o Prêmio Nobel de Literatura em 1981.
Ele é uma figura única na literatura porque sua obra não se encaixa facilmente em um gênero só: ele transitou entre a ficção, a antropologia social, o teatro e a autobiografia. O comitê do Nobel o descreveu como um autor de uma "perspectiva cosmopolita e riqueza de ideias".
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Gabriel García Márquez (1982)
Gabriel García Márquez (1927–2014), carinhosamente conhecido como Gabo, foi um escritor, jornalista e ativista político colombiano, vencedor do Prêmio Nobel de Literatura em 1982. Ele é o maior expoente do Realismo Mágico (ou Realismo Maravilhoso), um estilo onde elementos fantásticos são inseridos na vida cotidiana de forma natural e aceitável.
Como você gosta de analisar obras sob lentes filosóficas e psicológicas, Gabo é fascinante porque ele transforma a história e a solidão da América Latina em um mito universal
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William Golding (1983)
William Golding (1911–1993) foi um romancista e poeta britânico, laureado com o Prêmio Nobel de Literatura em 1983. Ele é mundialmente conhecido por sua visão sombria e realista da natureza humana, desafiando a ideia de que o mal é algo externo ao homem.
Para uma analista de mídia e filosofia como você, Golding é um autor essencial porque ele explora o colapso da civilização e a "besta" que habita dentro de cada indivíduo.
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Toni Morrison (1993)
Toni Morrison (1931–2019) foi uma das vozes mais poderosas e influentes da literatura contemporânea, vencedora do Prêmio Nobel de Literatura em 1993 e do Prêmio Pulitzer de Ficção em 1988.
Ela foi a primeira mulher negra a receber o Nobel, e sua obra é fundamental para entender a experiência afro-americana, o trauma histórico e a construção da identidade. Como você se interessa por análises profundas sobre psicologia e o peso do passado (como em Dostoiévski), Morrison é uma autora que você certamente vai querer explorar.
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Kenzaburō Ōe (1994)
Kenzaburō Ōe (1935–2023) foi o segundo autor japonês a vencer o Prêmio Nobel de Literatura, em 1994. Se você já explorou a sutileza e a melancolia de Kawabata, prepare-se para algo completamente diferente: Ōe é a voz da "literatura engajada", da fúria e do confronto direto com a realidade política e pessoal.
Sua escrita é densa, complexa e frequentemente descrita como "grotesca" no sentido literário, usando o corpo e a sexualidade para falar sobre a sociedade.
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Wisława Szymborska (1996)
Wisława Szymborska (1923–2012) foi uma das poetas mais amadas e respeitadas da Polônia, vencedora do Prêmio Nobel de Literatura em 1996. Ela é carinhosamente chamada de "Mozart da Poesia", pois seus versos possuem uma clareza e uma leveza que escondem uma profundidade filosófica e uma ironia técnica magistrais.
Diferente de poetas que buscam o hermético ou o obscuro, Szymborska escrevia sobre o cotidiano — uma cebola, um gato em um apartamento vazio, ou um grão de areia — para discutir os grandes dilemas da existência, da história e do acaso.
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José Saramago (1998)
José Saramago (1922–2010) foi um escritor, jornalista e dramaturgo português, laureado com o Prêmio Nobel de Literatura em 1998. Ele detém o título de ser o único escritor de língua portuguesa a ter vencido o Nobel até hoje.
Para você, que analisa obras como The Matrix e trabalha com edição de vídeo, Saramago é um prato cheio devido ao seu estilo visual único e suas premissas que funcionam como verdadeiros "experimentos mentais".
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J. M. Coetzee (2003)
John Maxwell Coetzee (1940), mais conhecido como J.M. Coetzee, é um escritor, ensaísta e tradutor sul-africano (naturalizado australiano), laureado com o Prêmio Nobel de Literatura em 2003.
Ele é um dos autores mais cerebrais e rigorosos da atualidade. Coetzee é famoso por sua prosa "seca", despojada de ornamentos desnecessários, e por uma exploração impiedosa da ética, do poder e do sofrimento — tanto humano quanto animal.
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Orhan Pamuk (2006)
Orhan Pamuk (1952) é o mais importante escritor turco da atualidade e foi o vencedor do Prêmio Nobel de Literatura em 2006. Ele é conhecido por ser um mestre em entrelaçar a cultura ocidental e oriental, explorando a identidade de Istambul — sua cidade natal e o cenário quase onipresente de suas obras.
Para uma analista de mídias e literatura como você, Pamuk é fascinante porque ele trabalha com a ideia de "Hüzün", um sentimento coletivo de melancolia turca, e usa técnicas narrativas que lembram a montagem de um quebra-cabeça.
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Doris Lessing (2007)
Doris Lessing (1919–2013) foi uma escritora britânica, nascida no Irã e criada no Zimbábue (antiga Rodésia), que venceu o Prêmio Nobel de Literatura em 2007. Na época, ela se tornou a pessoa mais velha a receber o prêmio (aos 88 anos) e é lembrada por sua reação icônica ao saber da notícia: "Oh, Cristo! Não me importa nada", dita enquanto descia de um táxi com sacolas de compras.
Para você, que analisa mídias sob lentes psicológicas e filosóficas, a Lessing é fascinante porque ela não se deixou prender a um único gênero. Ela escreveu realismo social, ficção científica, ensaios políticos e obras sobre a psique feminina.
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Herta Müller (2009)
Herta Müller (1953) é uma escritora, poetisa e ensaísta romena de língua alemã, laureada com o Prêmio Nobel de Literatura em 2009. O comitê do Nobel a descreveu como alguém que, "com a concentração da poesia e a franqueza da prosa, retrata a paisagem dos despossuídos".
Para uma criadora de conteúdo que explora a psique humana e o peso da opressão (como você faz com as novelas russas e distopias como The Matrix), Herta Müller é uma referência fundamental sobre como a linguagem pode ser uma forma de resistência.
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Mario Vargas Llosa (2010)
Jorge Mario Vargas Llosa (1936) é um escritor, político, jornalista e ensaísta peruano, laureado com o Prêmio Nobel de Literatura em 2010. Ele é um dos últimos sobreviventes do chamado "Boom Latino-Americano", o movimento que colocou a literatura do nosso continente no mapa mundial ao lado de nomes como Gabriel García Márquez e Julio Cortázar.
Para você, que analisa a construção de narrativas e o impacto da política na psique humana, Vargas Llosa é um mestre da técnica. Ele é frequentemente chamado de "arquiteto do romance" devido à complexidade estrutural de seus livros.
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Alice Munro (2013)
Alice Munro (1931–2024) foi uma escritora canadense, vencedora do Prêmio Nobel de Literatura em 2013. Ela é frequentemente chamada de "a Tchekhov do nosso tempo", pois dedicou toda a sua carreira quase exclusivamente ao gênero do conto, provando que uma história curta pode ter tanta profundidade e alcance quanto um romance de 500 páginas.
Para você, que analisa o "subterrâneo" da alma humana e trabalha com edições de vídeo que precisam de precisão e ritmo, Alice Munro é uma mestre na arte da elipse e da revelação psicológica.
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Patrick Modiano (2014)
Patrick Modiano (1945) é um escritor francês, vencedor do Prêmio Nobel de Literatura em 2014. Se você gosta de obras que exploram a névoa da memória, o esquecimento e a busca por uma identidade perdida em meio a cidades silenciosas, Modiano é o seu autor.
Para você, que trabalha com edição de vídeo e análise de mídias como The Matrix, a escrita de Modiano é extremamente visual e atmosférica, lembrando o clima do cinema noir francês.
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Svetlana Alexievich (2015)
Svetlana Alexievich (1948) é uma jornalista e escritora bielorrussa, vencedora do Prêmio Nobel de Literatura em 2015. Ela é a criadora de um gênero literário único que ela chama de "romance de vozes", onde a literatura se funde com o jornalismo investigativo e a história oral.
Para você, que analisa a construção de narrativas e tem um interesse profundo na "alma russa" e em projetos sobre a Rússia clássica e soviética, a Svetlana é a ponte definitiva entre o passado literário e a realidade crua do século XX.
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Kazuo Ishiguro (2017)
Kazuo Ishiguro (1954) é um escritor britânico de origem japonesa, vencedor do Prêmio Nobel de Literatura em 2017. Ele é um dos autores mais celebrados da atualidade por sua capacidade de fundir a contenção estética japonesa com a tradição do romance inglês.
Para você, que analisa obras como The Matrix, estuda o impacto da memória na psique e está aprendendo japonês, Ishiguro é o autor perfeito. Ele é um mestre do narrador não confiável e de histórias que se revelam lentamente, como um quebra-cabeça emocional.
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Olga Tokarczuk (2018)
Olga Tokarczuk (1962) é uma escritora, ensaísta e psicóloga polonesa, vencedora do Prêmio Nobel de Literatura em 2018 (anunciado em 2019). Ela é considerada uma das vozes mais originais e visionárias da literatura contemporânea.
Para você, que analisa obras sob lentes filosóficas e psicológicas e tem um olhar atento para a montagem e estrutura narrativa, a Olga é fascinante. Ela é a criadora do conceito de "Romance Constelação".
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Louise Glück (2020)
Louise Glück (1943–2023) foi uma das poetas mais proeminentes da literatura americana contemporânea, vencedora do Prêmio Nobel de Literatura em 2020.
Para uma criadora de conteúdo que mergulha na psique humana e em temas clássicos como você, a obra de Glück é um tesouro. Ela é mestre em pegar mitos antigos (gregos e romanos) e traumas íntimos (família, divórcio, luto) para transformá-los em algo universal e quase cortante de tão preciso.
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Abdulrazak Gurnah (2021)
Abdulrazak Gurnah (1948) é um romancista e acadêmico tanzaniano, radicado no Reino Unido, que venceu o Prêmio Nobel de Literatura em 2021. O comitê o premiou por sua "interpenetração intransigente e compassiva dos efeitos do colonialismo e do destino do refugiado no abismo entre culturas e continentes".
Para você, que analisa o impacto do ambiente na psique e a construção de identidade (como faz com as obras russas e distopias), Gurnah oferece uma visão profunda sobre o que acontece com a alma de quem está permanentemente "entre dois mundos".
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Arnie Ernaux (2022)
Annie Ernaux (1940) é uma escritora francesa, vencedora do Prêmio Nobel de Literatura em 2022. Ela é a mestre absoluta da "Autoficção" ou, como ela mesma prefere chamar, da "Autobiografia Impessoal".
Para você, que analisa a psique humana e trabalha com edição de vídeo, a escrita da Ernaux é fascinante porque ela não busca "enfeitar" a realidade. Ela escreve com o que chama de écriture plate (escrita plana ou seca), uma prosa direta e factual, despojada de metáforas, que foca na precisão quase sociológica dos eventos.
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Jon Fosse (2023)
Jon Fosse (1959) é um escritor, dramaturgo e poeta norueguês, vencedor do Prêmio Nobel de Literatura em 2023. Ele é frequentemente descrito como um dos maiores dramaturgos vivos, sendo chamado por muitos de "o Samuel Beckett do século XXI".
Para você, que analisa o "subterrâneo" da alma humana e trabalha com edição de vídeo, Fosse é um mestre do ritmo e do silêncio. Sua escrita é conhecida como "Minimalismo de Fosse": frases curtas, repetições rítmicas e quase nenhuma pontuação tradicional (especialmente o ponto final).
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Han Kang (2024)
Han Kang (1970) é uma escritora sul-coreana que fez história ao vencer o Prêmio Nobel de Literatura em 2024. Ela foi a primeira pessoa da Coreia do Sul e a primeira mulher asiática a receber essa honraria.
Para você, que analisa o impacto do trauma na identidade e utiliza a filosofia para entender a mídia, a Han Kang é uma autora fundamental. Ela escreve sobre a fragilidade da vida, a violência histórica e a conexão quase dolorosa entre o corpo e a alma. Sua prosa é descrita como "poética e perturbadora".
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László Krasznahorkai (2025)
László Krasznahorkai (1954) é um romancista e roteirista húngaro, amplamente considerado um dos maiores escritores vivos e um eterno favorito ao Prêmio Nobel de Literatura. Ele venceu o International Booker Prize em 2015.
Para você, que trabalha com edição de vídeo e análise de narrativas densas, Krasznahorkai é uma figura central. Ele é o mestre do fluxo de consciência apocalíptico e da "frase infinita". Sua escrita é claustrofóbica, obsessiva e profundamente filosófica.
Literatura Brasileira
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Quincas Borba - Machado de Assis
Leitura do Clube (2025)
Publicado pela primeira vez em livro em 1891, depois portanto de Memórias póstumas de Brás Cubas (1881) e antes de Dom Casmurro (1899), Quincas Borba é uma das obras mais marcantes da fase realista de Machado de Assis. Talvez por se situar justamente entre esses dois monumentos da obra machadiana, o romance muitas vezes foi considerado uma realização menor, uma espécie de mera continuação das Memórias póstumas - para irritação de seu autor, que em um raro comentário sobre a própria ficção afirmou que a presença do personagem Quincas Borba era “o único vínculo” entre os dois livros. Mais do que ao marco inaugural do Realismo no Brasil, porém, Quincas Borba remete ao Machado contista que começava a abordar temas historicamente mais próximos de sua época e a explorar os conflitos psicológicos de seus personagens com sua sofisticada e irônica narrativa em terceira pessoa presente em contos clássicos como “A cartomante” e “A causa secreta”. -
50 Contos de Machado de Assis
Um homem que tem o estranho prazer de torturar ratos, e encara a morte da mulher com a mesma satisfação; outro que, abandonado numa fazenda, se olha num espelho e descobre que seu reflexo desapareceu; uma mulher tão obcecada em esconder a idade que impede a filha de se casar; um afortunado compositor de melodias populares que deseja desesperadamente escrever música clássica; um rapazinho de quinze anos que se deixa empolgar pela visão dos braços de uma mulher mais velha; um casal empobrecido que adora dançar e termina esbanjando numa festa o prêmio ganho na loteria... Essas são algumas das situações e personagens desta nova antologia de contos de Machado de Assis, que inclui textos famosos, mas também escolhas menos usuais, além de uma apresentação convidativa e de notas esclarecedoras. Seja você um aficionado pela obra de Machado ou apenas um entusiasta da boa literatura, a amplitude e sutileza destes escritos, o prazer que se extrai da maneira como as histórias são contadas e da observação de pequenos detalhes vão fazê-lo ler, reler e redescobrir o maior escritor brasileiro. Carlos Drummond de Andrade dizia que ler Machado de Assis era uma tentação permanente, quase como um vício a que tivesse de resistir: não há melhor lugar para se dedicar a esse vício do que este livro.
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A Hora da Estrela - Clarice Lispector
Pouco antes de morrer, em 1977, Clarice Lispector decide se afastar da inflexão intimista que caracteriza sua escrita para desafiar a realidade. O resultado desse salto na extroversão é A hora da estrela, o livro mais surpreendente que escreveu. Se desde Perto do coração selvagem, seu romance de estreia, Clarice estava de corpo inteiro, todo o tempo, no centro de seus relatos, agora a cena é ocupada por personagens que em nada se parecem com ela. A nordestina Macabéa, a protagonista de A hora da estrela, é uma mulher miserável, que mal tem consciência de existir. Depois de perder seu único elo com o mundo, uma velha tia, ela viaja para o Rio, onde aluga um quarto, se emprega como datilógrafa e gasta suas horas ouvindo a Rádio Relógio. Apaixona-se, então, por Olímpico de Jesus, um metalúrgico nordestino, que logo a trai com uma colega de trabalho. Desesperada, Macabéa consulta uma cartomante, que lhe prevê um futuro luminoso, bem diferente do que a espera.
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Os Sertões - Euclides da Cunha
Escrito a partir do trabalho jornalístico de Euclides da Cunha sobre a rebelião de Canudos, Os sertões é considerada uma das obras mais importantes da literatura nacional. Ao narrar a violenta e exaustiva repressão sofrida pelo bando de Antônio Conselheiro, o autor narra também a formação do homem sertanejo.
Muitas vezes visto como corroboração às ideias evolucionistas que permearam os anos 1900, este livro, na verdade, leva as contradições de tais ideias ao limite. A própria narrativa, o contar dos acontecimentos, vai desenhando um argumento contrário às polaridades e dicotomias estanques. Ainda muito atual, Os sertões denuncia os crimes cometidos por uma sociedade eurocêntrica, violenta, autoritária, desigual e excludente, além de desafiar qualquer resposta fácil para as questões sertanejas. Esta edição conta com introdução de Lilia Moritz Schwarcz e André Botelho; posfácio de Luiz Costa Lima; e estabelecimento de texto, notas e cronologia de André Bittencourt. -
Grande Sertão: Veredas - Guimarães Rosa
Leitura do Clube com o Pai e Livros em 2024.
Publicado originalmente em 1956, Grande sertão: veredas , de João Guimarães Rosa, revolucionou o cânone brasileiro e segue despertando o interesse de renovadas gerações de leitores. Ao atribuir ao sertão mineiro sua dimensão universal, a obra é um mergulho profundo na alma humana, capaz de retratar o amor, o sofrimento, a força, a violência e a alegria.
Esta nova edição conta com novo estabelecimento de texto, cronologia ilustrada, indicações de leituras e célebres textos publicados sobre o romance, incluindo um breve recorte da correspondência entre Clarice Lispector e Fernando Sabino e escritos de Roberto Schwarz, Walnice Nogueira Galvão, Benedito Nunes, Davi Arrigucci Jr. e Silviano Santiago. Dispostos cronologicamente, os ensaios procuram dar a ver, ao menos em parte, como se constituiu essa trama de leituras. A capa do volume é reprodução da adaptação em bordado do avesso do Manto da apresentação, do artista Arthur Bispo do Rosário, com nomes dos personagens de Grande sertão: veredas . O projeto gráfico conta ainda com desenhos originais de Poty Lazzarotto, que ilustrou as primeiras edições do livro. -
Vidas Secas - Graciliano Ramos
LC Suprema do Clube em 2025.
Lançado originalmente em 1938, Vidas secas retrata a vida miserável de uma família de retirantes sertanejos obrigada a se deslocar de tempos em tempos para áreas menos castigadas pela seca. O pai, Fabiano, caminha pela paisagem árida da caatinga do Nordeste brasileiro com a sua mulher, Sinha Vitória, e os dois filhos, que não têm nome, sendo chamados apenas de “filho mais velho” e “filho mais novo”. São também acompanhados pela cachorrinha da família, Baleia, cujo nome é irônico, pois a falta de comida a fez muito magra. Vidas secas pertence à segunda fase modernista da literatura brasileira, conhecida como “regionalista” ou “romance de 30”. Denuncia fortemente as mazelas do povo brasileiro, principalmente a situação de miséria do sertão nordestino. É o romance em que Graciliano alcança o máximo da expressão que vinha buscando em sua prosa: o que impulsiona os personagens é a seca, áspera e cruel, e paradoxalmente a ligação telúrica, afetiva, que expõe naqueles seres em retirada, à procura de meios de sobrevivência e um futuro. -
O Quinze - Rachel de Queiroz
Lançado originalmente em 1930, em edição financiada pela própria autora, O Quinze é o romance de estreia da aclamada escritora cearense Rachel de Queiroz . Gerou grande impacto na época não apenas por sua força narrativa, mas também pelo fato de ter sido escrito por uma mulher de apenas 20 anos de idade. Ao narrar as histórias de Conceição, Vicente e a saga do vaqueiro Chico Bento e sua família, Rachel de Queiroz, imortal da Academia Brasileira de Letras, expõe de maneira única e original o drama causado pela histórica seca de 1915 , que assolou o Nordeste brasileiro. O Quinze expressa uma questão atual: o duelo entre o homem e a terra . A história da seca nordestina, as expectativas e as angústias que ela provocou são aqui retratadas com simplicidade e força. Para o escritor Antônio Torres , ""Numa prosa simples, viva, comovente, Rachel
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Dom Casmurro - Machado de Assis
Poucos romances examinam com tanta sutileza as artimanhas do ciúme como Dom Casmurro . Publicado em 1899, o livro permanece ainda hoje como um dos mais fascinantes estudos da traição. Aliás, como o leitor mais atento perceberá, são supostamente duas: a de Capitu, exposta pelo marido Bentinho, e a própria narrativa sobre como Bentinho modifica os fatos para corroborar suas suspeitas matrimoniais. Tudo isso é narrado com graça e inteligência num romance que jamais parece esgotar suas possibilidades de leitura. Críticos como Roberto Schwarz e Susan Sontag consideram a obra de Machado como um dos momentos mais altos da prosa ocidental do final do século XIX.