Literatura é Arte
"Não existem livros morais ou imorais. Livros são bem escritos ou mal escritos. É só isso"
(Oscar Wilde)
Eu me interesso por literatura desde pequeno. Lembro quando era criança e ter entrado numa papelaria na saudosa Ilha do Governador, bairro do Rio de Janeiro, do início dos anos 80 do século passado ㅡ sim, sou velho ㅡ e ter sido atraído por um livro paradidático sobre Machado de Assis. Enquanto minha mãe procurava artigos de papelaria, eu folheava aquele livro. A introdução me conquistou de imediato quando contava a história do menino Joaquim Maria. Lembro da coleção da Abril Cultural de curadoria de Marisa Lajolo, um livro de capa vermelha e no centro o rosto de nosso maior escritor ainda jovem.
Foi assim meu primeiro contato com a Literatura e depois vieram outras coleções como “Para Gostar de Ler” e “Coleção Vagalume”. No entanto, entrei pela porta machadiana, pelas suas letras, sua visão romântica do Rio de Janeiro, principalmente das ruas do Centro da capital carioca que pude vivê-las desde a infância e depois por ter morado numa das ruas mais famosas e sempre presente nos romances machadianos, a célebre Matacavalos que hoje se chama Rua do Riachuelo por causa da famosa batalha naval contra nossos irmãos paraguaios.
Foi Machado de Assis e minha professora de Língua Portuguesa, professora Vera, que me introduziram nas letras clássicas. E essas duas influências permanecem em mim toda vez que abro um livro. Influências que podem ser resumidas na máxima de Wilde: “Não existem livros morais ou imorais. Livros são bem escritos ou mal escritos. É só isso". Sim, Literatura para mim é Arte e não um código de regras morais, ou dogmas religiosos, ou um programa de Estado a ser cumprido, ou modismo coletivo e social, ou a formação de um cânone ideológico, etc. Sim, Literatura para mim não tem gênero, cor, religião, ideologia, política; ou ela é boa, ou ela é ruim. E a Literatura boa é aquela que eu acho boa e não aquela que os coletivos dominantes julgam ser boa. Literatura boa é aquela que me toca profundamente, é aquela que me desperta esteticamente por meio de sua beleza artística, é aquela que me serve de mímesis existencial, é aquela que não se sujeita aos seus tempos, mas o supera com coragem, individualidade e muita, muita criatividade artística.
Literatura é Arte e por isso está acima do Bem e do Mal, pois esses conceitos são transitórios que, na maioria das vezes, desejam domesticar o artista. Literatura é Arte e por isso não flui em certezas, mas livremente em dúvida numa dialética sem fim. Literatura é Arte e por isso anticlerical, apolítica, imoralista, ou seja, exacerbadamente livre.
Por fim, a Literatura é eterna, passam as literaturas, filosofias, homens, mulheres, políticas, revoluções, artes, tudo, tudo passa e só ela permanece.