O doidinho do centro
Vou a pé ao trabalho,
Todos os dias caminhando
Pelas ruas do centro.
O vai-e-vem de pessoas e de carros.
Não são todos os dias,
Ao menos uma vez na semana,
Cruzo com o doidinho,
Em sua marcha lenta pelas ruas do centro.
Cumprimenta uma árvore,
Sorri para a lixeira.
Atravessa a rua movimentada
Sem olhar para os lados.
Quando está sóbrio,
Chega a uma mesa de bar.
Pede um cigarro,
Um copo de cerveja.
Vive em seu mundinho,
Distante de todos nós.
O que pensa? O que imagina?
Talvez nem ele saiba.
Uma coisa é certa: sua
Realidade deve ser perfeita.
Está sempre sorrindo,
Está sempre alegre.
Não sei onde mora,
Nem sei se ele mora.
Talvez viva preso
Em sua própria mente.
E eu? Sigo para o trabalho,
Fazer o mesmo de sempre.
Mais um dia? Menos um dia?
Acho que os loucos somos nós.