O doidinho do centro

Vou a pé ao trabalho,

Todos os dias caminhando

Pelas ruas do centro.

O vai-e-vem de pessoas e de carros.

Não são todos os dias,

Ao menos uma vez na semana,

Cruzo com o doidinho,

Em sua marcha lenta pelas ruas do centro.

Cumprimenta uma árvore,

Sorri para a lixeira.

Atravessa a rua movimentada

Sem olhar para os lados.

Quando está sóbrio,

Chega a uma mesa de bar.

Pede um cigarro,

Um copo de cerveja.

Vive em seu mundinho,

Distante de todos nós.

O que pensa? O que imagina?

Talvez nem ele saiba.

Uma coisa é certa: sua

Realidade deve ser perfeita.

Está sempre sorrindo,

Está sempre alegre.

Não sei onde mora,

Nem sei se ele mora.

Talvez viva preso

Em sua própria mente.

E eu? Sigo para o trabalho,

Fazer o mesmo de sempre.

Mais um dia? Menos um dia?

Acho que os loucos somos nós.

Rafael Santander

Rafael. Rafa. Santander. Como quiser. Leitor crônico. Ultramaratonista nas horas vagas. Penso, logo me desespero. Em busca do meu lugar nesse mundo conturbado.

Próximo
Próximo

Transparência